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Aviso laranja : Os portugueses não são masoquistas.

11 Fev

“Nós, simplesmente, como gente adulta e madura, vamos cumprir o que lá está, custe o que custar. E custa, custa muito, não haja dúvida quanto a isso, mas vamos cumprir”, afirmava há dias Passos Coelho referindo se ao memorando e aos sacrifícios que se está a exigir aos portugueses.
Ficamos assim a saber que a gente adulta e madura deve cumprir. E deve cumprir, na opinião do Primeiro Ministro, se isso custar muito. E que, segundo Passos Coelho, esse custar deve recair sobre um povo que, segundo ele, vive acima das suas possibilidades. «Pobres já nós estamos. Há é pessoas que ainda não se deram conta disso e continuam a viver como se não fossem pobres» sentenciava o líder do PSD na sua cadeira de S. Bento. Nós, que no caso queria dizer eles, o povo. Sim, o Povo esse coletivo que não percebe o que ele já tinha percebido. Ele, o Passos claro!

Ficamos então a saber que o primeiro ministro além de adulto, maduro e cumpridor, também é economista e afinal vive deprimido. Deprimido e angustiado com um povo, que continua a não ter noção da realidade que os atinge.
Mas o que considero realmente estranho é a sua imensa determinação em cumprir o que lhe é imposto em contraponto com a ausência dela quando os compromissos são por si definidos.

Mas o que Passos Coelho deveria saber é que há um País à espera de uma liderança. Que há um povo à espera que lhe digam que é possível sair da crise, que há um caminho.
Os portugueses vivem com a sensação de que cada vez que o seu primeiro ministro vai falar com os seus pares europeus lhes fala dos cortes, dos sacrifícios e de como tudo tem feito para mostrar aos seus concidadãos que não há nenhum país que cresça com excesso de dívida ou ,como já o afirmou publicamente, que o nosso crescimento foi à custa da poupança do exterior, ou seja dos outros povos.
Vivemos com a sensação de que Passos Coelho sente que o seu brilhantismo externo depende da forma como castiga o seu próprio povo. E não será esse o caminho certo.

Como não é certo o caminho de se pensar que o povo está disponível para aguentar todos os sacrifícios porque assim se afirma como um ente colectivo responsável. Os portugueses são um povo disponível para lutar e para fazer sacrifícios mas têm de os entender como válidos. Não por qualquer vocação masoquista ou de subserviência ao capital estrangeiro.
Querer fazer a reforma dos tribunais, das autarquias, da saúde, da educação, das finanças mas sempre a exigir do mais fraco e nunca a reclamar do mais forte é não entender que a corda está esticada ao limite. Que nenhum sacrifício será mais suportado sem que isso coloque em grave risco a paz social.

Pode o governo querer acabar com muito dos que os portugueses têm, e que o conseguiram à custa da sua afirmação como um povo capaz, mas há uma realidade que Passos Coelho deve assimilar, a de que nunca ganhará o país contra o seu povo.

publicado na Revista C

Ai Portugal, Portugal…

8 Mar

O Rato e a Ratoeira

 

Numa planície da Ática, perto de Atenas, morava um fazendeiro com sua mulher; ele tinha vários tipos de cultivares, assim como: oliva, grão de bico, lentilha, vinha, cevada e trigo. Ele armazenava tudo num paiol dentro de casa, quando notou que seus cereais e leguminosas, estavam sendo devoradas pelo rato. O velho fazendeiro foi a Atenas vender partes de suas cultivares e aproveitou para comprar uma ratoeira. Quando chegou em casa, adivinha quem estava espreitando?

Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que haveria ali.

Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado.

Correu para a esplanada da fazenda advertindo a todos:

– Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa !!

A galinha disse:

– Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.

O rato foi até o porco e disse:

– Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira !

– Desculpe-me Sr. Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser orar. Fique tranqüilo que o Sr. Será lembrado nas minhas orações.

O rato dirigiu-se à vaca. E ela lhe disse:

– O que ? Uma ratoeira ? Por acaso estou em perigo? Acho que não !

Então o rato voltou para casa abatido, para encarar a ratoeira. Naquela noite ouviu-se um barulho, como o da ratoeira pegando sua vítima.

A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego.

No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher… O fazendeiro chamou imediatamente o médico, que avaliou a situação da esposa e disse: sua mulher está com muita febre e corre perigo.

Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal.
Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la.

Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco.

A mulher não melhorou e acabou morrendo.

Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.

Moral:
“Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que quando há uma ratoeira na casa, toda fazenda corre risco. O problema de um é problema de todos.”

Esopo

CRISE FINANCEIRA: AS 6 ETAPAS DO DESASTRE

17 Maio
“(…)La boucle est ainsi bouclée. Avec le recul, les pièces éparses des krachs économiques à répétition survenus ces trois dernières années composent peu à peu le thème d’un puzzle bien connu. Son cadre : la vague de déréglementation financière des années 1980. Son nom : à crise de marché, remèdes de marché.(…)” na Valise Diplomatique do Le Monde Diplomatique

A crise económica global. A Grande Depressão do século XXI

11 Maio

 

O texto que a seguir publico foi retirado do PLANO BRASIL,  tradução do prefácio do livro The Global Economic Crisis. The Great Depression of the XXI Century, de Michel Chossudovsky e Andrew Gavin Marshall (Editores). Um contributo importante para a discussão da actual crise económica:

“Em todas as regiões do mundo a recessão económica está profundamente enraizada, resultando no desemprego em massa, no colapso de programas sociais do Estado e no empobrecimento de milhões de pessoas. A crise económica é acompanhada por um processo de militarização à escala mundial, uma “guerra sem fronteiras” liderada pelos Estados Unidos da América e seus aliados da NATO. O comportamento do Pentágono na “longa guerra” está intimamente relacionado com a reestruturação da economia global.

Estamos a tratar de uma crise ou recessão económica definida de modo estreito. A arquitectura das finanças globais sustenta objectivos estratégicos e de segurança nacional. Por sua vez, a agenda militar EUA-NATO serve para endossar uma poderosa elite dos negócios a qual implacavelmente eclipsa e mina as funções do governo civil.

O livro conduz o leitor através dos corredores do Federal Reserve e do Council on Foreign Relations, por trás das portas fechadas do Bank for International Settlements, dentro de luxuosos gabinetes de conselho de administração na Wall Street onde transacções financeiras de extremo alcance são rotineiramente efectuadas a partir de terminais de computador ligados aos principais mercados de acções, ao toque de um botão de rato.

Cada um dos autores aqui reunidos escava por trás da superfície dourada para revelar uma complexa teia de enganos e distorções dos media, os quais servem para esconder os trabalhos do sistema económico global e os seus impactos devastadores sobre as vidas das pessoas. A nossa análise centra-se no papel de poderosos actores económicos e políticos num ambiente forjado pela corrupção, pela manipulação financeira e pela fraude.

Apesar da diversidade de pontos de vista e de perspectivas apresentados neste volume, todos os colaboradores acabam por chegar à mesma conclusão: a humanidade está na encruzilhada da mais grave crise económica e social da história moderna.

O colapso dos mercados financeiros em 2008-2009 foi o resultado da fraude institucionalizada e da manipulação financeira. Os “salvamentos bancários” foram implementados com base nas instruções da Wall Street, levando à maior transferência de riqueza monetária da história registada, enquanto simultaneamente criava uma dívida pública inultrapassável.

Com a deterioração à escala mundial de padrões de vida e o afundamento dos gastos de consumo, toda a estrutura do comércio internacional de mercadorias está potencialmente em risco. O sistema de pagamentos de transacções em dinheiro está caótico. Em consequência do colapso do emprego, o pagamento de salários é rompido, o que por sua vez dispara uma queda nas despesas com bens e serviços de consumo necessários. Este mergulho dramático no poder de compra faz ricochete no sistema produtivo, resultando numa cadeia de despedimentos, encerramentos de fábricas e bancarrotas. Exacerbado pelo congelamento do crédito, o declínio na procura do consumidor contribui para a desmobilização de recursos materiais e humanos.

Este processo de declínio económico é cumulativo. Todas as categorias da força de trabalho são afectadas. Pagamentos de salários já não são mais cumpridos, o crédito é interrompido e os investimentos de capital estão paralisados. Enquanto isso, em países ocidentais, a “rede de segurança social” herdada do estado previdência, a qual protege os desempregados durante uma retracção económica, está também em perigo.

O mito da recuperação económica

A existência de uma “Grande Depressão” na escala da da década de 1930, se bem que muitas vezes reconhecida, é obscurecida por um consenso inflexível: “A economia está a caminho da recuperação”.

Apesar de haver conversas acerca de uma renovação económica, comentadores da Wall Street persistentemente e intencionalmente têm deixado de lado o facto de que o colapso financeiro não é simplesmente composto por uma bolha – a bolha imobiliária da habitação – que já explodiu. De facto, a crise tem muitas bolhas, todas as quais superam a explodida bolha habitacional de 2008.

Embora não haja desacordo fundamental entre os analistas da corrente dominante acerca da ocorrência de uma recuperação económica, há debates tempestuosos sobre quando ocorrerá, se no próximo trimestre ou no terceiro trimestre do próximo ano, etc. Já no princípio de 2010, a “recuperação” da economia dos EUA fora prevista e confirmada através de uma barragem de desinformação dos media com palavras cuidadosamente escolhidas. Enquanto isso, os problemas sociais do desemprego agravado na América foram escrupulosamente camuflados. Economistas viram a bancarrota como um fenómeno microeconómico.

As informações dos media acerca de bancarrotas, ainda que revelando realidades a nível local que afectam uma ou mais fábricas, não apresentam um quadro geral do que está a acontecer aos níveis nacional de internacional. Quando todos estes encerramentos simultâneos de fábricas em cidades por toda a terra são somados, emerge um quadro muito diferente: sectores inteiros de uma economia nacional estão a fechar.

A opinião pública continua a ser enganada quanto às causas e consequências da crise económica, para não mencionar as soluções políticas. As pessoas são levadas a acreditar que a economia tem uma lógica por si própria a qual depende da livre inter-actuação de forças de mercado e que os poderosos actores financeiros, os quais puxam os cordéis nos gabinetes das administrações corporativas, não poderiam, sob quaisquer circunstâncias, ter deliberadamente influenciado o curso dos acontecimentos económicos.

A implacável e fraudulenta apropriação de riqueza é sustentada como uma parte integral do “sonho americano”, como um meio de difundir os benefícios do crescimento económico. Como foi dito por Michael Hudson, arraiga-se o mito de “sem riqueza no topo, nada haveria para gotejar para baixo”. Tal lógica enviesada do ciclo de negócios ofusca o entendimento das origens estruturais e históricos da crise económica global.

Fraude financeira

A desinformação dos media serve em grande medida os interesses de um punhado de bancos globais e especuladores institucionais, os quais utilizam o seu comando sobre mercados financeiros e de commodities para acumularem vastas quantias de riqueza monetária. Os corredores do Estado são controlados pelo establishment corporativo, incluindo os especuladores. Enquanto isso, os “salvamentos bancários”, apresentados ao público como um requisito para a recuperação económica, facilitaram e legitimaram um processo ulterior de apropriação de riqueza.

Vastas quantias de riqueza monetárias são adquiridas através da manipulação do mercado. Mencionada muitas vezes como “desregulamentação”, o aparelho financeiro desenvolveu instrumentos refinados de manipulação e engano sem rodeios. Com informação interna e conhecimento antecipado, os principais actores financeiros, utilizando os instrumentos do comércio especulativo, têm a capacidade para manipular e burlar os movimentos do mercado em seu proveito, precipitar o colapso de um competidor e arruinar economias de países em desenvolvimento. Estas ferramentas de manipulação tornaram-se uma parte integral da arquitectura financeira; elas estão incorporadas no sistema.

O fracasso da teoria económica dominante

A profissão das Ciências Económicas, particularmente nas universidades, raramente trata do funcionamento de mercados no “mundo real”. Construções teóricas centradas em modelos matemáticos servem para representar um mundo abstracto e ficcional no qual os indivíduos são iguais. Não há distinção teórica entre trabalhadores, consumidores ou corporações, todos eles referidos como “actores individuais”. Nenhum indivíduo isolado tem o poder ou a capacidade para influenciar o mercado; nem pode haver qualquer conflito entre trabalhadores e capitalistas dentro deste mundo abstracto.

Ao deixar de examinar a interacção de actores económicos poderosos na economia da “vida real”, os processos de falsificação do mercado, a manipulação financeira e a fraude são ignorados. A concentração e centralização da tomada de decisão económica, o papel das elites financeiras, os thinks tanks económicos, os gabinetes dos conselhos de administração das corporações: nada destas questões é examinada nos programas de ciências económicas das universidades. A construção teórica é disfuncional; ela não pode ser utilizada para o entendimento da crise económica.

A ciência económica é uma construção (construct) ideológica que serve para camuflar e justificar a Nova Ordem Mundial. Um conjunto de postulados dogmáticos serve para preservar o capitalismo de livre mercado pela negação da existência da desigualdade social e a natureza orientada para o lucro do sistema é negada. O papel de actores económicos poderosos e como estes actores são capazes de influenciar o funcionamento dos mercados financeiros e de commodities não é um assunto que preocupe os teóricos da disciplina. Os poderes de manipulação de mercado que servem para a apropriação de vastas quantias de riqueza monetária raramente são tratados. E quando são reconhecidos, considera-se que pertencem ao âmbito da sociologia ou da ciência política.

Isto significa que a estrutura política e institucional por trás deste sistema económico global, a qual foi moldada no decorrer dos últimos trinta anos, raramente é analisada pelos economistas da corrente principal. Segue-se que a teoria económica como disciplina, com algumas excepções, não proporcionou a análise necessária para compreender a crise económica. De facto, os seus principais postulados do livre mercado negam a existência de uma crise. O foco da teoria económica neoclássica está no equilíbrio, desequilíbrio e “correcção de mercado” ou “ajustamento” através do mecanismo de mercado, como meio de colocar a economia outra vez “dentro do caminho do crescimento auto-sustentado”.

Pobreza e desigualdade social

A política económica global é um sistema que enriquece muito pouco a expensas da grande maioria. A crise económica global contribuiu para ampliar desigualdades sociais tanto dentro como entre países. Sob o capitalismo global, a pobreza que aumenta cada vez mais não é o resultado de uma escassez ou de uma falta de recursos humanos e materiais. Exactamente o oposto é que é verdadeiro: a depressão económica é marcada por um processo de desligamento de recursos humanos e de capital físico. Vidas de pessoas são destruídas. A crise económica está profundamente enraizada.

As estruturas de desigualdade social foram, de modo muito deliberado, reforçadas, levando não só a um processo generalizado de empobrecimento como também ao fim dos grupos de rendimento médios e acima da média.

O consumismo da classe média, sobre o qual este modelo desregrado de desenvolvimento capitalista está baseado, também está ameaçado. As bancarrotas atingiram vários dos sectores mais activos da economia do consumidor. As classes médias no ocidente foram, durante várias décadas, sujeitas à erosão da sua riqueza material. Se bem que a classe média exista em teoria, é uma classe construída e sustentada pala dívida das famílias..

Os ricos, ao invés da classe média, estão rapidamente a tornar-se a classe consumidora, levando ao crescimento inexorável do crescimento da economia de bens de luxo. Além disso, com a secagem dos mercados de bens manufacturados para a classe média, verificou-se uma mutação central e decisiva na estrutura do crescimento económico. Com o fim da economia civil, o desenvolvimento da economia de guerra da América, suportado por um colossal orçamento de defesa de quase um milhão de milhões de dólares, atingiu novas alturas. Quando os mercados de acções despencam e a recessão se desdobra, as industrias de armas avançadas, os militares e empreiteiros da segurança nacional e as prósperas companhias de mercenários (entre outras) têm experimentado uma expansão e um crescimento estrondoso das suas várias actividades.

Guerra e crise económica

A guerra está inextricavelmente ligada ao empobrecimento do povo, internamente e por todo o mundo. A militarização e a crise económica estão intimamente relacionadas. O fornecimento de bens e serviços essenciais para atender necessidades humanas básicas foi substituído por uma “máquina de matar” orientada para o lucro a apoiar a “Guerra global ao terror” da América. Os pobres são feitos para combater os pobres. Mas a guerra enriquece a classe superior, a qual controla a indústria, os militares, o petróleo e a banca. Numa economia de guerra, a morte é um bom negócio, a pobreza é boa para a sociedade e o poder é bom para os políticos. Os países ocidentais, particularmente os Estados Unidos, gastam centenas de milhares de milhões de dólares por ano para assassinar pessoas inocentes em distantes países empobrecidos, enquanto internamente o povo sofre as disparidades de pobreza, classe, género e racial.

Uma “guerra económica” total que resulta em desemprego, pobreza e doença é executada através do mercado livre. Vidas de povos estão numa queda livre e o seu poder de compra é destruído. Num sentido muito real, os últimos vinte anos de economia global de “livre mercado” terminaram, através da pobreza e da exclusão social, com as vidas de milhões de pessoas.

Ao invés de tratar de impedir a catástrofe social, os governos ocidentais, que servem os interesses das elites económicas, instalaram uma polícia de Estado “Big Brother”, com mandato para confrontar e reprimir todas as formas de oposição e discordância social.

A crise económica e social não atingiu de forma alguma o seu clímax e todos os países, incluindo a Grécia e a Islândia, estão em risco. Basta apenas olhar para a escalada da guerra no Médio Oriente e Ásia Central e para as ameaças dos EUA-NATO à China, Rússia e Irão para testemunhar como a guerra e a economia estão intimamente relacionados.

A nossa análise neste livro

Os colaboradores deste livro revelam as complicações da banca global e o seu insidioso relacionamento com o complexo militar industrial e os conglomerados petrolíferos. O livro apresenta uma abordagem inter-disciplinar e multi-facetada, dando também um entendimento das dimensões históricas e institucionais. As relações complexas da crise económica com a guerra, o império e a pobreza mundial são destacadas. Esta crise tem um alcance verdadeiramente global e repercussões que se reflectem por todos os países, em todas as sociedades.

Na Parte I, as causas gerais da crise económica global bem como os fracassos das teorias económicas dominantes são evidenciados. Michel Chossudovsky foca a história da desregulamentação financeira e da especulação. Tanya Cariina Hsu analisa o papel do Império Americano e o seu relacionamento com a crise económica. John Bellamy Foster e Fred Magdoff asseguram uma revisão abrangente da política económica da crise, explicando o papel central da política monetária. James Petras e Claudia von Werlhof apresentam uma revisão pormenorizada e crítica do neoliberalismo, centrando-se sobre as repercussões económicas, políticas e sociais das reformas do “livre mercado”. Shamus Cooke examina o papel central da dívida, tanto pública como privada.

A Parte II, que inclui capítulos de Michel Chossudovsky e Peter Philips, analisa a maré ascendente de pobreza e desigualdade social resultante da Grande Depressão.

Com contribuições de Michel Chossudovsky, Peter Dale Scott, Michael Hudson, Bill Van Auken, Tom Burghardt e Andrew Gavin Marshall, a Parte III examine o relacionamento entre crise económica, Segurança Nacional, a guerra conduzida pelos EUA-NATO e o governo mundial. Neste contexto, como descrito por Peter Dale Scott, a crise económica cria condições sociais que favorecem a instauração da lei marcial.

O foco da Parte IV é o sistema monetário global, sua evolução e seu papel cambiante. Andrew Gavin Marshall examina a história da banca central bem como várias iniciativas para criar sistemas de divisas regionais e global. Ellen Brown foca a criação de um banco central global e de uma divisa global através do Bank for International Settlements (BIS). Richard C. Cook examina o sistema monetário baseado na dívida como um sistema de controle e apresenta linhas mestras para democratizar o sistema monetário.

A Parte V foca o funcionamento do Sistema Bancário Sombra, o qual disparou o colapso de 2008 dos mercados financeiros. Os capítulos de Mike Whitney e Ellen Brown descrevem em pormenor como o esquema de Ponzi da Wall Street foi utilizado para manipular o mercado transferir milhares de milhões de dólares para os bolsos dos banksters.

Estamos em dívida para com os autores pela sua investigação cuidadosamente documentada, análise incisiva e, acima de tudo, pelo compromisso inquebrantável para com a verdade: Tom Burghardt, Ellen Brown, Richard C. Cook, Shamus Cooke, John Bellamy Foster, Michael Hudson, Tanya Cariina Hsu, Fred Magdoff, James Petras, Peter Phillips, Peter Dale Scott, Mike Whitney, Bill Van Auken e Claudia von Werlhof apresentaram, com absoluta clareza, um entendimento dos diversos e complexos processos económicos, sociais e políticos que estão a afectar as vidas de milhões de pessoas por todo o mundo.

 

CRISIS ? WHAT CRISIS ?

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