Porque não acredito na crise política

18 Jan

Ao contrário de muitos , não acredito em qualquer crise política nos próximos meses. E quase me atreveria a afirmar que o Governo levará o seu mandato até ao fim, excepto se ocorrer uma hecatombe eleitoral do maior partido da coligação após as autárquicas. E explico porquê.
Primeiro , porque somos um país de brandos costumes, em que o povo vive com extrema dificuldade mas tem sentido de responsabilidade e por isso pondera sempre muito bem o certo pelo incerto. Além disso, temos uma característica muito peculiar , a de esperar sempre que o vizinho faça o protesto, a greve ou que vá às manifestações por nós. Protestamos sentados, à espera que os outros se mexam. Portanto, por aqui não haverá crise política.
Vamos apenas tratar mal os jogadores e o arbitro mas não invadiremos o campo.
Mas pode ocorrer uma crise política após avaliação da execução orçamental do primeiro trimestre , dizem outros. Nesta é que não acredito mesmo, porque entendo que há muito que o governo sabe que a execuçao vai correr mal, tal como sabe que há normas inconstitucionais. E tem as soluções para elas, mesmo que não pareça. O governo está a executar um plano de redução do peso do Estado na economia, em articulação com FMI e as concepções neo liberais que dominam os governos europeus. E foi neles que assentou a sua estratégia pelo que lhe é irrelevante o que ocorra no plano nacional. Assim, apenas tem de desempenhar o papel do bom aluno, cumprindo em público o que em privado vai definindo com a troika e com a Merkl. Se inconstitucional , que seja Tribunal a declarar. Se é preciso retirar direitos , os partidos da oposição que se oponham. Desde que externamente seja reconhecido o esforço , que importa a opinião interna ? Governo sabe que a sua estratégia está protegida, no bem e no mal, pelos credores internacionais.
Portanto por aqui não haverá crise .
Terceira hipótese, ocorrer uma fratura na coligação . Só por ingenuidade alguém pensará que qualquer destes partidos teria algo a ganhar com uma crise política e com a sua desagregação. Porque fácil será perceber que ambos seriam duramente penalizados no ato eleitoral subsequente. Cada um dos partidos da coligação vê o outro como inimigo, mas cada um deles sabe que tem de se deitar na mesma cama. E esperar em cada dia que passa continuar vivo. Mas como não confiam um no outro, não haverá surpresas. Por isso, por aqui também não haverá crise.
Quarto,pelo Presidente da Republica . Inverosímil, porque só quem não conhece Cavaco Silva é que acredita que ele discorde das medidas que estão a ser aplicadas. Cavaco Silva concorda com todas elas. A sua crispação é meramente cénica na substancia e real na forma, porque é aqui que diverge do governo. Desejaria que as medidas do Governo se desenvolvessem de forma mais harmoniosa, envolvendo o maior partido da oposição, sem alvoroço, para assim não ser incomodado pelos que lhe sao próximos mas distantes de Passos Coelho.Cavaco Silva gere as sua intervenções com frieza política . Anseia ficar ligado à historia pelo lado do reformismo liberal mas não quer ser perturbado. E é só isso que o incomoda. Por isso também não será por aqui.
É por isso que não acredito em crise política a curto prazo.

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