Um governo que não se respeita

14 Jan
  O ex-secretário-geral do PS Ferro Rodrigues defendeu hoje que um novo Governo deverá renegociar a reestruturação dos valores e dos prazos da dívida, tendo um consenso político “muitíssimo mais alargado” do que o tradicional quadro da alternância.

Esta posição foi defendida por Ferro Rodrigues nas Jornadas Parlamentares do PS, num discurso em que também acusou o Governo de “não se respeitar a si próprio” ao encomendar um relatório ao Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre cortes e de seguir uma política de “guerra social”.

Mas na parte final da sua intervenção – período em que várias vezes bateu com o punho na mesa enquanto falava – Ferro Rodrigues deixou um recado para o interior do seu partido.

“Há que perceber que perante a eventualidade de uma crise política, essa crise política, quando vier, será muito diferente das anteriores por causa daquilo que se passou e, por isso, não basta a alternância [política], porque Portugal precisa de um consenso social e político muitíssimo mais alargado. Só com uma unidade nacional muito forte é que podemos se possível renegociar com a troika e se necessário incluir nessa renegociação alguma reestruturação dos valores e dos prazos da dívida”, declarou o ex-líder do PS.

Na sua intervenção, Ferro Rodrigues acusou o Governo de tentar destruir o sistema público e de seguir uma via de “mínimos sociais”, que foi suportada pelo recente relatório do FMI para cortes na despesa.

“Este Governo está a levar a cabo uma guerra social e de confrontação social, tentando pôr a classe média contra o Estado social. Todos os dias a conversa deles [Governo] é esta: Confrontação entre trabalhadores do setor público contra trabalhadores do privado; confrontação entre cidadãos ativos e aposentados; e até confrontação entre netos e filhos contra avós e pais, passando a ideia de que as pessoas com 80 ou 90 anos estão a impor aos pobres filhos e netos uma situação em que pagam mais impostos e terão menores pensões no futuro”, sustentou.

Na perspetiva do ex-secretário-geral do PS, Portugal está neste momento a atravessar um Processo Revolucionário em Curso (PREC) de sinal político contrário.

“Estamos num momento decisivo, num PREC com um perigo diferente [face ao de 1975, porque está legitimado por resultados eleitorais e porque tem o apoio de agência internacionais muito poderosas, num contexto em que a Europa atravessa um período de confusão. Há que unir todos aqueles que não querem a continuação da espiral recessiva, todos os que não querem a destruição do Estado social – algo que atravessa várias áreas partidárias, pessoas inscritas e não inscritas em partidos”, disse, numa nova alusão a entendimentos entre o PS e outras forças políticas à esquerda.

Fonte : LUSA

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