Porque o Governo não percebe os protestos da crise

16 Nov


Há no­vos da­dos so­bre o nú­me­ro de pes­so­as no­me­a­das pe­lo atu­al Go­ver­no que re­ce­be­ram sub­sí­di­os de fé­ri­as em 2012 – ao con­trá­rio do que acon­te­ceu com a ge­ne­ra­li­da­de da fun­ção pú­bli­ca, por via do Or­ça­men­to do Es­ta­do.

O nú­me­ro é mais de dez ve­zes su­pe­ri­or ao que foi re­ve­la­do em se­tem­bro úl­ti­mo. Aos 131 as­ses­so­res de ga­bi­ne­tes mi­nis­te­ri­ais ad­mi­ti­dos en­tão pe­lo Go­ver­no so­mam-se ago­ra, se­gun­do in­for­ma­ção ofi­ci­al en­vi­a­da ao PS, 1323 no­me­a­dos pa­ra ou­tras en­ti­da­des do Es­ta­do (ins­ti­tu­tos, etc.).

As­sim, o to­tal dos “boys” que be­ne­fi­ci­a­ram des­ta ex­ce­ção ao cum­pri­men­to do OE 2012 as­cen­de a 1454. Um nú­me­ro equi­va­len­te a cer­ca de um ter­ço do nú­me­ro to­tal de no­me­a­ções go­ver­na­men­tais (3511, se­gun­do um re­cen­se­a­men­to que o PS tem vin­do a fa­zer e que não in­clui, por au­sên­cia de da­dos ofi­ci­ais, as no­me­a­ções no Mi­nis­té­rio da So­li­da­ri­e­da­de e da Se­gu­ran­ça So­ci­al).

A in­for­ma­ção, ofi­ci­al, foi re­me­ti­da pe­lo ga­bi­ne­te do pri­mei­ro- mi­nis­tro ao Par­la­men­to, em res­pos­ta a per­gun­tas do PS, a 18 de ou­tu­bro.

Cons­ti­tuiu, aliás, uma re­ti­fi­ca­ção fa­ce a ou­tra in­for­ma­ção (com a mes­ma ori­gem e en­vi­a­da pa­ra o mes­mo des­ti­na­tá­rio) dois di­as an­tes, on­de se di­zia que o “nú­me­ro de tra­ba­lha­do­res que re­ce­be­ram sub­sí­di­os de fé­ri­as re­la­ti­vos a fé­ri­as ven­ci­das no ano de in­gres­so da ad­mi­nis­tra­ção pú­bli­ca (2011)” era so­men­te de 233.

Fa­ce a es­tes 233 no­me­a­dos, o Go­ver­no avan­çou um gas­to em sub­sí­di­os de cer­ca de 591 mil eu­ros (591 495,36 eu­ros). Qu­an­do re­ti­fi­cou o nú­me­ro pa­ra 1323 no­me­a­dos não atu­a­li­zou a es­ti­ma­ti­va de des­pe­sa – o que po­de ape­nas que­rer di­zer que o nú­me­ro dos no­me­a­dos es­ta­va er­ra­do, mas o dos gas­tos com sub­sí­di­os não.

Se es­ta es­ti­ma­ti­va es­ti­ver cor­re­ta e for so­ma­da à que o Go­ver­no já ti­nha fei­to com os sub­sí­di­os pa­gos a as­ses­so­res dos ga­bi­ne­tes mi­nis­te­ri­ais (171 mil eu­ros), o gas­to to­tal as­cen­de a 765 mil eu­ros.

As in­for­ma­ções en­vi­a­das pe­lo ga­bi­ne­te de Pe­dro Pas­sos Co­e­lho ao gru­po par­la­men­tar do PS re­ve­lam ain­da ou­tros da­dos.

O nú­me­ro de “tra­ba­lha­do­res que re­ce­be­ram ver­bas re­fe­ren­tes a sub­sí­di­os de fé­ri­as por mo­ti­vo de ces­sa­ção de fun­ções e acer­tos” foi con­ta­bi­li­za­do em 5890. To­tal da des­pe­sa: 4,6 mi­lhões de eu­ros.

Os do­cu­men­tos re­ve­lam ain­da o to­tal de fun­ci­o­ná­ri­os da ad­mi­nis­tra­ção pú­bli­ca que re­ce­be­ram sub­sí­di­os por te­rem um ven­ci­men­to ba­se men­sal in­fe­ri­or a 1100 eu­ros: 95 208. Ver­ba gas­ta: 32,7 mi­lhões de eu­ros.

Re­gras e ex­ce­ções

As per­gun­tas do PS co­me­ça­ram a ser en­vi­a­das ao Go­ver­no em 13 de ju­lho des­te ano, de­pois de sur­gi­rem as pri­mei­ras no­tí­ci­as se­gun­do as quais as­ses­so­res go­ver­na­men­tais te­ri­am re­ce­bi­do sub­sí­dio de fé­ri­as, ape­sar do cor­te que lhes foi de­ter­mi­na­do no Or­ça­men­to do Es­ta­do.
A 31 de ju­lho, a res­pos­ta che­gou, as­si­na­da pe­lo che­fe de ga­bi­ne­te de Pas­sos Co­e­lho, Fran­cis­co Ri­bei­ro de Me­ne­zes. Num pri­mei­ro mo­men­to, era ga­ran­ti­do que “não foi pa­go a qual­quer mem­bro do Go­ver­no ou do res­pe­ti­vo ga­bi­ne­te o sub­sí­dio de fé­ri­as, nos ter­mos exa­tos do ar­ti­go 21.º do OE 2012, sen­do que o pró­prio Go­ver­no de­ter­mi­nou que qual­quer si­tu­a­ção que se­ja iden­ti­fi­ca­da em con­trá­rio de­ve­rá ser ime­di­a­ta­men­te cor­ri­gi­da”.

Po­rém, lo­go no pa­rá­gra­fo se­guin­te es­cla­re­cia- se que o Or­ça­men­to do Es­ta­do 2012 “não é apli­cá­vel às si­tu­a­ções de pa­ga­men­to de sub­sí­dio (pro­por­ci­o­nal) cor­res­pon­den­te a fé­ri­as ven­ci­das em 2011”. Di­to de ou­tra for­ma: “A nor­ma, não ten­do efei­tos re­tro­a­ti­vos, só po­de abran­ger as fé­ri­as ad­qui­ri­das du­ran­te a sua vi­gên­cia”.

A mes­ma res­pos­ta ex­pli­ca­va por que ra­zão es­ta ex­ce­ção não se apli­ca­va aos fun­ci­o­ná­ri­os pú­bli­cos em ge­ral: “O re­gi­me pró­prio [do Re­gi­me do Con­tra­to de Tra­ba­lho em Fun­ções Pú­bli­cas] só se apli­ca nos ca­sos em que se ini­cia uma no­va re­la­ção ju­rí­di­ca, pe­lo que em to­dos os ca­sos de ma­nu­ten­ção de re­la­ções ju­rí­di­cas pré­vi­as não hou­ve, na­tu­ral­men­te, aqui­si­ção de tal di­rei­to dos ter­mos enun­ci­a­dos.” E as­sim, “ao pes­so­al que se en­con­tre nes­tas con­di­ções, quer dos ga­bi­ne­tes do Go­ver­no quer de quais­quer ou­tros ser­vi­ços, or­ga­nis­mos ou en­ti­da­des pú­bli­cos, é de­vi­do e foi pa­go sub­sí­dio de fé­ri­as na exa­ta pro­por­ção do tra­ba­lho pres­ta­do no ano da cons­ti­tui­ção da re­la­ção ju­rí­di­ca de em­pre­go”.
Daí em di­an­te, de per­gun­ta em per­gun­ta, o PS foi ob­ten­do mais res­pos­tas – che­gan­do- se ago­ra a um nú­me­ro glo­bal de pes­so­as no­me­a­das pe­lo Go­ver­no que re­ce­be­ram sub­sí­dio de fé­ri­as em 2012, ape­sar da proi­bi­ção de­cre­ta­da no Or­ça­men­to do Es­ta­do: 1454.

Diario de Noticias

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Financiamento Internacional

oportunidades e recursos

Praça do Bocage

Conversa sobre o que nos dá na real gana…

almôndega

narrativas, cebolas e molho vermelho

Recordar, Repetir e Elaborar

O de sempre, só que de novo.

Pra Fora

Depositário do que eu vejo por aí

Casa das Aranhas

A Verdade vem Sempre ao de Cima

O Informador

Jornalismo, média, actualidade nacional e internacional

Palavras ao Poste

A OPINIÃO (QUASE) CERTEIRA

%d bloggers like this: