INSSURREIÇÃO UNIVERSITÁRIA, PRECISA-SE

10 Nov

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“Ontem pude testemunhar o quanto a Universidade (todo país!!) está no limite da paciência e à beira da revolta contra este governo e estas políticas. O TAGV não foi suficiente para acolher o caudal de professores, estudantes e funcionários da UC. Acredito que — tb aqui à semelhança do país — esta é uma onda que ainda está em formação e vai rebentar, tarde ou cedo!
Porém, se eu fosse o Reitor (ou melhor, se esta Universidade for capaz de fazer jus ao seu passado de lutas académicas), não seria no Gil Vicente, mas nos jardins da AAC ou na Praça da República, que a reunião devia ter tido lugar (era fácil mudar, mesmo ali ao lado). Não seria uma diretiva reitoral mas um grito da AAC que pararia a Universidade! Por outras palavras: não creio que a melhor forma de contestar estas politicas seja apenas com reuniões mais ou menos solenes, mais ou menos elitistas dos Srs Reitores num circulo fechado (na Sala Grande dos Actos ou em qualquer outra reitoria), mem mesmo com declarações bem intencionadas de dirigentes associativos identificados ou coniventes com este status-quo, mas antes com a efetiva consciencialização e mobilização dos estudantes e professores no seu conjunto. Os meus queridos colegas professores da Universidade de Coimbra, que há 30 ou 40 anos foram tão insubmissos, e bem, contra a Universidade salazarista não podem agora menosprezar o papel dos estudantes, que foram em todas as épocas e em todos os continentes os grandes actores da rutura e da mudança.
Se a Universidade quer deixar de ser o agente da reprodução das elites (é isso o elitismo) para ser um agente da mudança e da RENOVAÇÃO DAS ELITES, tem de gerar uma nova elite transformadora e democrática que empurre o país de novo para o progresso, e isso faz-se sobretudo do lado de fora das suas paredes. A Universidade deve abrir-se e não fechar-se, deve saber criar uma unidade ampla com todos os seus corpos, mas dar também a palavra aos seus estudantes. Deve permitir e até estimular a irreverência e não produzir apenas meninos que perseguem os mesmos exemplos e ambições individuais da “pseudoelite” tecnocrática, atualmente no poder. Para tal, digo eu, é fundamental que os nossos jovens, os estudantes universitários ACORDEM da sua letargia a assumam eles a iniciativa e a liderança desta luta. Porque, meus caros e minhas caras, não acredito que isto vá lá com paninhos quentes ou com jogadas políticas taticistas e discursos bem elaborados ditados do alto de uma cátedra. Acordem porque é o vosso futuro que está em causa.”


Elísio Estanque , investigador do Centro Estudos Sociais, da Universidade de Coimbra

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