Citação

Não se passa nada

23 Set

“O país viveu duas semanas sob a ameaça de ficar sem Governo num momento especialmente crítico, tais eram as divergências públicas no seio da coligação a propósito da famosa TSU. Mas, afinal, não se passou nada. Um simples comunicado em que a TSU não é sequer referida bastou para que os dois partidos ficassem amigos como dantes.

Tão amigos que já na próxima semana vão tratar de um assunto mais importante e urgente: a preparação de coligações que permitam ao CDS salvar a pele nas próximas eleições autárquicas.

Quando Cristiano Ronaldo ficou triste, jurou que não era por dinheiro, mas a sua tristeza acabou assim que se dispuseram a pagar-lhe, segundo as notícias, mais uns milhões de euros. Paulo Portas é o Ronaldo desta história. Entristeceu com a TSU, mas a tristeza foi-se na hora em que o PSD se prontificou a dar-lhe a mão no difícil transe das autárquicas. Nada disto se passou assim? Talvez não. Mas é o que parece depois de os dois partidos terem metido as eleições locais no comunicado sobre a vaga tentativa de disfarce da crise governativa. Se pretendiam dizer que a coligação está tão forte e coesa que até vai alargar-se às autarquias, o que conseguiram foi transmitir a ideia de que, na hierarquia das suas preocupações, o negócio partidário está ao mesmo nível, se não um pouco acima, de tudo o que atormenta o país.

A democracia portuguesa já viveu muitas crises governamentais, mas não há memória de nenhuma com tanta infantilidade e jogo rasteiro. Talvez Passos Coelho tenha percebido, enfim, o que lhe aconteceu. Por leviandade e sobranceria, desprezou o PS, atraiçoou a UGT, ignorou o Presidente e foi inchando de autossuficiência até perder o país e acabar refém de um especialista em manobras de sobrevivência política. E que por ela fará sempre o que for preciso, incluindo desacreditar, quando tal lhe der vantagem, o Governo de que faz parte.

A confiança só se perde uma vez — dizem que é como a virgindade —, pelo que se percebe bem que Passos e Portas nem tenham vindo a público fingir que voltavam a confiar um no outro. Isso pouca importância teria se a confiança dos portugueses, insultados pelo modelo TSU de empobrecimento, com a ostensiva transferência de riqueza do trabalho para o capital, ainda pudesse ser recuperada. É triste, mas quando mais precisávamos de um Governo forte e credível, só temos o que aí está: algo que mais parece um cadáver político adiado.”

Fernando Madrinha no Expresso 2012-09-22

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