Leituras

21 Set

” (…) Mas esta medida não revelou apenas a ligeireza, a impreparação e falta de bom senso do primeiro-ministro: expôs também, à luz do dia, e de forma definitiva, toda a verdade sobre aquela que é a orientação política que guia desde o início a acção do Governo PSD/CDS: uma estratégia clara de empobrecimento, executada através de uma austeridade brutal, muito além da ‘troika’, sem nenhum horizonte que não seja um decepcionante modelo de baixos salários. É a tomada de consciência colectiva desta estratégia absurda e sem futuro – escandalosamente escondida na última campanha eleitoral por entre muita conversa contra o aumento dos impostos e as “gorduras do Estado” – que suscita agora uma indignação profunda, que ameaça gravemente as condições de aplicação do programa de assistência financeira e já abala a própria coligação.

Os danos causados pelo primeiro-ministro são provavelmente irreparáveis. Mas alguma coisa é preciso fazer. E a primeira de todas parece óbvia: recuar. E recuar, neste caso, significa uma única coisa: desistir da ideia de baixar a TSU das empresas à custa dos trabalhadores. Por estranho que pareça, o primeiro-ministro continua a não dar sinais de ter percebido a dimensão do sarilho que arranjou. Ao fim de duas semanas de contestação geral, insiste ainda em “modelar” apenas a medida, de modo a não atingir os trabalhadores de mais baixos rendimentos. Quando muito, parece admitir uma estrutura progressiva das taxas contributivas aplicáveis aos trabalhadores.

A ideia parece ser esta: mudar alguma coisa para que o essencial continue na mesma. Ora, sejamos claros: “modelar” não é “recuar”.

Pode até compreender-se que o primeiro-ministro, depois de anunciar solenemente esta medida ao País e de ter sido desafiado ostensivamente pelo seu próprio parceiro de coligação, pretenda ainda preservar a sua imagem de autoridade e salvar a face. Mas, como já alguém disse, a política é a arte do possível. E a prioridade do primeiro-ministro, nesta situação, não poder ser salvar a face. O seu dever primeiro é outro: salvar o Governo, dando ouvidos ao País.”
Pedro Silva Pereira no Diario Económico

“(…) Retornando a Raymond Plant, uma das formas de assinalarmos o contraste entre sociais-democratas e neoliberais seria a de salientar que enquanto “para o social-democrata o mais importante é melhorar a posição relativa dos mais desfavorecidos, mantendo ao mesmo tempo a posição dos mais favorecidos […]; para o neoliberal o mais importante é melhorar a posição absoluta dos mais desfavorecidos sem nunca procurar limitar a melhoria relativa dos mais favorecidos.”

Depois de ter comunicado ao país que quer que sejam os trabalhadores a pagar a TSU que os seus patrões deixarão de suportar, Pedro Passos Coelho poderá (transitoriamente) continuar a intitular-se primeiro-ministro. Não poderá, porém, nunca mais intitular-se social-democrata.”
Filipe Neto Brandão no Diario Económico

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