Carta aberta de Paulo Campos a Luis Filipe Meneses

28 Mar

Lisboa, 25 de Março de 2012
Exmo.º Sr. Dr. Luís Filipe Menezes:
Dado o aparente estado inebriado com que V. Exa. se dirigiu, ontem, ao congresso do seu partido, presumo que quando mencionou “o ex. Secretário de Estado das Obras Públicas” se dirigia a mim.
Acontece que fico incrédulo perante as acusações que me fez, citando dois exemplos da minha “irresponsabilidade”:
1) “A retirada dos carris da linha do Mondego, com um custo de mais de 90 Milhões de Euros”;
2) “Duas autoestradas, A41 e A32 (Concessão Douro Litoral), com o custo para os cofres do estado de 1.000 Milhões de Euros, numa estrada onde não anda ninguém”.
O Sr. Dr., apesar do carácter que a sua intervenção revelou, tem que ter uma resposta. E muito séria.
Em primeiro lugar: é V. Exa. tão ignorante ao ponto de desconhecer que na anterior governação eu não tive qualquer delegação de poderes no sector dos transportes que tutelaram o complexo e absolutamente merecedor de análise, Metro do Mondego? Custa a crer que um cidadão com o seu grau de intervenção, especialmente na comunicação social, critique alguém e dê como exemplo uma matéria em que esse alguém não foi tido nem achado!
Em segundo lugar: é V. Exa. tão “atabalhoado” na ganância política ao ponto de revelar desconhecer que o concurso para a Concessão Douro Litoral foi lançado, não por um governo de José Sócrates, mas por um governo do partido a que V. Exa. pertence, concretamente assinado pela Dra. Manuela Ferreira Leite? E que, ao contrário do que refere, esta concessão não tem custos para o estado, sendo uma concessão de portagem real, tendo a concessionária pago ao estado 207 milhões de euros além de ficar responsável pelos custos de construção e operação em troca de se apropriar das receitas de portagem durante 30 anos?
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O exercício de exibicionismo que V. Exa. procurou tem limites e dar como exemplo algo que é factualmente falso, não é meritório, como pensa, mas eticamente absolutamente reprovável!
Sobre a questão da Lusoponte, que o senhor diz que foi corrigida em horas, deixe-me corrigi-lo num minuto: o duplo pagamento existe, não porque as instituições do estado não funcionaram, mas sim porque o tipo de governo que o senhor patrocina assim o determinou.
Mais: as portagens foram cobradas em Agosto de 2011. Estamos em Março de 2012 e apesar de todas as promessas e de o senhor afirmar que o problema tinha sido resolvido em horas, o estado continua sem ver um cêntimo do duplo pagamento que a Lusoponte recebeu.
O dinheiro das portagens está no bolso esquerdo do seu companheiro Ferreira do Amaral, enquanto presidente da Lusoponte e o dinheiro que o seu Secretário de Estado determinou que fosse pago, por não se cobrar portagens que tinham sido cobradas, está no bolso direito do mesmo companheiro.
E, já agora, permita-me explicar-lhe que esta mesma governação que o Sr. tanto gosta aprovou mais um pagamento adicional indevido ao vosso companheiro Ferreira do Amaral, de mais 50 milhões de euros, que aliás já me tinha sido proposto, enquanto Secretário de Estado e que não aprovei.
Gostaria também de o relembrar que várias vezes o Sr. Dr. Luís Filipe Menezes procurou o Ministério das Obras Públicas, na legislatura anterior, para construir várias pontes e até túneis (Cinco!!!, como aliás consta de múltiplas entrevistas e documentos da sua pré-campanha contra a fação do Dr. Rui Rio) de travessia do Douro e que sempre lhe expliquei que as nossas decisões, cujo objetivo foi a dinamização da economia e do emprego, estavam limitadas a dois parâmetros: o Plano Rodoviário Nacional e o compromisso eleitoral que apresentámos aos portugueses. A sua proposta não correspondia a nenhum dos critérios.
Finalmente, Sr. Dr. Luís Filipe Menezes: a sua intervenção de ontem podia até ser compreendida no calor da disputa interna e no contexto de querer agradar aos seus chefes, face às escolhas eleitorais autárquicas que se avizinham, exibindo uma retórica mais papista que o papa. Afinal, ainda há bem pouco tempo se queixou V. Exa. das facadas que os seus companheiros lhe deram, enquanto foi um transitório e fracassado líder partidário e esta seria uma boa oportunidade para se mostrar alinhado.
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Mas, saiba V. Exa. que enquanto os seus chefes riam animadamente, o país estava a ser muito maltratado pelas palavras que decidiu proferir. Quando se atravessa a maior crise social da história da democracia, informa V. Exa. “que nas próximas autárquicas, a bem ou mal, vai roubar um Secretário de Estado ao Governo”. Dúvidas houvesse sobre o verdadeiro carácter político de V. Exa., ficaram dissipadas: o Sr. Secretário de Estado da Segurança Social é um homem a prazo que não está em funções para resolver os graves problemas sociais com que muitos concidadãos vivem, mas, para exercer a função de peão no xadrez partidário a que V. Exa. o submeteu.
Estou certo que muitos dos adversários políticos que V. Exa. continua a colecionar ficaram radiantes com a intervenção que proferiu, a fazer lembrar outros “tesourinhos” com que já nos brindou em congressos do seu partido. Mas, infelizmente para o povo português foi um momento lamentável que talvez V. Exa. tenha oportunidade de se tentar reabilitar se por momentos tiver um rebate de consciência que o obrigue a repor a verdade
Os ajustes de contas na política são feitos pela história e não pela politiquice.
Com os mais sérios cumprimentos,
________________________
Paulo Campos
PS: Junto anexo seis “momentos” que atestam os seus critérios políticos:
1º) Vídeo propagandístico da Câmara Municipal de Gaia, com V. Exa. no protagonista, com o título “Revolução viária em curso”, no qual o Sr. “canta hossanas” à A32 que ontem tanto ridicularizou:

2º) Novo vídeo produzido pelo município de V. Exa., novamente protagonizado por si, em visita com indumentária a preceito às obras na A41 e A32, as mesmas que o Sr. ontem tanto criticou, intitulado “Gaia interior valorizada”:


3º) Reportagem da SIC Notícias, na qual o Sr. afirma que (“dixit”) “seria irresponsável não avançar com os grandes investimentos públicos”, garantindo que não estava a atacar a então presidente do partido, Dra. Manuela Ferreira Leite

4º) Reforço desse momento, no jornal Público, no qual o Sr. Dr. afiança que “só tem uma cara”: 
) A notícia de um ranking elaborado em Março deste ano, no qual a Câmara de Gaia, por V. Exa. presidida, aparece em 2º lugar. (Nota: este resultado não permite que a população de Gaia ou o povo de Portugal possam festejar. Trata-se efetivamente do ranking das Câmaras mais endividadas de toda a nação!): 
6º) Notícia do sonho de V. Exa.: 3 Pontes, 1 túnel e uma ponte pedonal. Talvez seja útil repetir, 3 Pontes, 1 túnel e uma ponte pedonal:

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5 Respostas to “Carta aberta de Paulo Campos a Luis Filipe Meneses”

  1. Julio Martins Março 28, 2012 às 9:36 pm #

    Palavras para quê ? É um licenciado em medicina que após ter acabado o curso, cá ninguém lhe deu emprego.

  2. Sara M. Loureiro Abril 2, 2012 às 7:07 am #

    BRAVO! “contra factos não há argumentos”.
    Mto bem, Exmo. Sr. Deputado, Dr. Paulo Caompos, está de PARABÉNS.

    • Sara Loureiro Abril 4, 2012 às 10:40 pm #

      Nota/errata: Paulo Campos
      (mil desculpas, SML)

  3. Sara Loureiro Abril 4, 2012 às 11:01 pm #

    Corecção/lapso/errata: Paulo Campos ao invés de Paulo Caompos.
    Mil desculpas, SML

  4. José Alves Setembro 17, 2012 às 6:21 am #

    O povo Português anda a dormir e não vê que este senhor Luis Meneses é um esbanjador dos dinheiros públicos e nao passa no fundo de um menino mimado a fazer obras inuteis e dispendiosas por todos os lados, com grandes interesses económicos escondidos. Com uma cara de bondoso, também médico pediatra, vai enganando os incautos e prepara-se para continuar com as ganâncias desmedidas no concelho do Porto…até quando continua a corrupção? Trata-se efetivamente de um dos politicos mais disfarçados do país dos tais que morde pela calada…

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