ENTREVISTA

4 Jul

Mário Nicolau

MÁRIO Ruivo – Candidato à distrital do PS
Não tenho problemas com a imagem nem receio da própria sombra

A “crítica subtil” às memórias de “grande afecto” do PS são o ponto de partida para a reacção de Mário Ruivo às declarações de Victor Baptista.

DIÁRIO AS BEIRAS – Ficou surpreendido com a entrevista de Victor Baptista ?
Mário Ruivo – Li a entrevista e por aquilo a que assisti nos últimos dias considero que a única pessoa que está desorientada é o actual presidente da Federação Distrital do Partido Socialista de Coimbra, o que lamento. Espero que recupere o bom senso e a serenidade quer na liderança da distrital, quer na articulação com o Governo.

Identifica os motivos das atitudes de Victor Baptista?
É lamentável que, por razões que não quero aqui escalpelizar, tente atacar dirigentes do Partido Socialista, que existia antes de Victor Baptista ser militante, existiu durante o tempo em que foi militante e dirigente do PS e há-de existir quando ele deixar de ser líder distrital. Há nomes que são referências históricas do distrito e do PS, que são memórias de grande afecto de todo o partido, nomeadamente António Campos, Fausto Correia, Manuel Alegre, Manuel Machado ou António Arnaut…

Victor Baptista escolheu os alvos errados?
São pessoas que não podem ser maltratadas, mesmo de forma subtil, quando ele afirma que só é presidente da federação desde 1995 e a responsabilidade é dos outros que estiveram nos mandatos de anteriores e que alguns são deputados há 30 anos e nada fizeram. É não ter noção do contributo dessas pessoas em coisas tão simples como os princípios, rigor, ética e acima de tudo por não assumirem atitudes que demonstram um absoluto descontrolo emocional.

Terá receio de alguma coisa?
Não sei. Vejo que está muito enervado e ameaçador no sentido de pretender exercer o mandato de acordo com posições que não se enquadram nos princípios do partido. O PS tem liberdade de opinião, mas não faz sentido que o faça deste modo e, até, com uma certa raiva em relação a pessoas por quem devia ter respeito. Enquanto líder da distrital devia estimular a unidade e transmitir aquilo que é a opinião do PS no seu todo. Estou convencido que nenhum presidente de câmara, nenhum militante se revê nas declarações do dr. Victor Baptista relativamente a Paulo Campos ou ao Governo. Ninguém se revê nesta atitude de afrontar o Governo e de criticar ministros num altura em que o Governo está a fazer um esforço significativo para recuperar a economia e estabilizar o país num momento de crise mundial.

Viu a entrevista à SIC Notícias?
Vi. Disse que estávamos na época balnear, mas penso de uma forma sincera é ele que precisa de descanso, de férias e de serenar. Não estamos num momento de tormenta como quer fazer crer.

Entende a polémica com Paulo Campos?
Não. O presidente da concelhia é independente no seu mandato e qualquer presidente da federação deve respeitar os convites endereçados a dirigentes nacionais do partido ou membros do Governo. Paulo Campos veio a Coimbra um dia à noite, com prejuízo da sua vida pessoal, para esclarecer os militantes. Tem uma relação afectiva com o distrito de Coimbra e é o único secretário de Estado que é do PS de Coimbra. Quero lembrar que sempre que tivemos outras lideranças da federação, Coimbra teve um protagonismo diferente a nível governamental. Luís Parreirão, António Campos ou Fausto Correia são exemplos do que estou a dizer. Aliás, na questão das obras Victor Baptista assume muitas como suas, mas esquece-se do trabalho realizado por outros. Tem sido sempre assim e vai às inaugurações. Por outro lado, nem sequer está no secretariado nacional, o que é impensável no caso da federação distrital de Coimbra.

Mas é um escolha do secretário geral…
É verdade, mas estamos a falar de relações de confiança. Paulo Campos já fez mais pelo distrito do que o dr. Victor Baptista. Combateu as assimetrias regionais e criou um conjunto de infra-estruturas que permitem aproximar o interior do litoral.

O Metro é uma falsa questão?
Não digo isso. Sei que há problemas com o Metro e que é uma questão que merece preocupação. Só que não é de certeza deste modo que vamos resolver a questão do Metro. É necessário dialogar com o ministério. Não vejo que o Governo tenha levantado a linha e assumido um compromisso com presidentes e dirigentes do PS, para agora dizer às populações que passam a andar de autocarro. Não acredito nisso. O primeiro-ministro é uma pessoa de bom senso e o ministro vai ser solidário. Agora, não é a andar aos tiros, a falar alto ou a afrontar os governantes que conseguimos resolver os problemas. Além da serenidade, é necessário ter consciência das dificuldades que o país atravessa. Para mim, é prioritária a recuperação do eixo Coimbra-Lousã.

Nas eleições para a federação, e no caso de “interferências”, o dr. Victor Baptista irá até às últimas consequências. Quer comentar?
Fala do que sabe. Não tenho ideia de nenhuma interferência e não tenho relações directas com o poder em Lisboa. Quando o dr. Victor Baptista é criticado, apela à unidade do partido, mas quando lhe dá jeito não tem problemas nenhuns de criticar. A organização das eleições será isenta e independente como tem sido ao longo dos anos, ainda que às vezes existam desvios. Se alguém foi prejudicado, essa pessoa fui eu num processo marcado por algumas questões menos correctas, mas que estão ultrapassadas.

É necessário repor alguns princípios?
Sem dúvida. Acima de tudo é preciso evitar que as questões resvalem para a pequena intriga que não dá dimensão ao partido e não dignifica os políticos. Os partidos precisam de uma dimensão ideológica que vá para além dos protagonistas em cada momento. Não tenho problemas de afirmação de personalidade, não tenho problemas com a imagem, nem receio da própria sombra.

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