VAMOS SER SÉRIOS NA ANÁLISE

27 Fev

“Existe uma forma subtil de o poder político premiar ou punir os órgãos de comunicação: através da publicidade institucional. Quando o órgão é manso, recebe o seu biscoito. Quando o órgão ladra e morde, a ração é controlada. Por isso é fundamental saber quanto se gasta e, sobretudo, onde se gasta o dinheiro público: a ‘liberdade de expressão’, hoje, não se faz com comissões prévias de censura. Faz-se com o livro de cheques na mão. A trela é a mesma.”JOÃO PEREIRA COUTINHO NO CORREIO MANHÃ

Existe uma forma subtil da comunicação social premiar ou punir poder político:através das fontes de informação.Digo eu !

Quando essa relação funciona numa cumplicidade silenciosa entre quem dá, procurando o benefício da propaganda e da sua projecção mediática, e quem recebe, afirmando-se nos exclusivos, no seu reconhecimento profissional e nas chamadas à primeira página dos seus escritos, tudo corre a contento. Há harmonia entre o jornalista, o “informador” e, por consequência, o meio de comunicação social que se afirma como referência informativa. E é essa referência, esse reconhecimento de “bem informado” que lhe permite uma penetração no mercado publicitário e o sucesso editorial. Mas quando esse elo se quebra tudo se complica. As primeiras páginas, o sucesso editorial e as receitas publicitárias vão escasseando. Surge o momento de se apontar o indicador e se acusar, assumindo o lesado a figura de “virgem”” séria, impoluta e insusceptível de qualquer desvio ético. Mas esse é também o desmontar da tenda em que a relação assentava os seus interesses. Porque a partir desse dia, do dia em que se torna público o que era susposto ser eternamente privado, rompe-se perpetuamente o elemento fundamental dessa relação: a confiança recíproca.
Ora, esta incapacidade de se fazer um debate sério sobre a relação entre os media e o poder político e económico, tem permitido o crescimento de uma competição desregulada do sucesso, para que este possa promover expansão ( ou sobrevivência) dos grupos de comunicação e nestes possam brilhar os profissionais que mais se destaquem no surpreender de uma notícia que os concorrenciais colegas não sonhavam ou a que não conseguiram chegar primeiro.
E é na crise económica generalizada que essa competição se acentua, pela falência das receitas publicitárias,resultante de maior selectividade das empresas nos destinatários das suas parcas verbas destinadas a divulgação ou promoção. E nessa competição, tenho algumas dúvidas se o maior problema não incide no catálogo de mais e melhores fontes de informação de cada um.

É por isso redutora, na senda do que é corrente em Portugal, atirar as responsabildades para os políticos e não as partilhar com outros. Até porque para dançar o tango são precisos dois…

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2 Respostas to “VAMOS SER SÉRIOS NA ANÁLISE”

  1. Aurélia Março 2, 2010 às 1:42 am #

    É verdade, Mário. Isso passa-se em todos os meios de comunicação e nem vejo grande problemase se não forem ultrapassadas barreiras éticas e obrigações profissionais (falo,óbviamente, das obrigações -as 1as – dos meios para com os leitores). Mas também é verdade que em épocas específicas, como os actos eleitorais, as pressões são fortes (mais ainda, acredito, para o dito jornalismo de proximidade. E aí é que as coisas podem complicar-se se os papéis de cada um não estiverem muito bem definidos para que não possam confundir-se funções. Por outro lado, é nestas alturas que se vê quem tem “estaleca” para suportar essas pressões, mantendo a coluna vertical. Porque é possível, garanto. Porque estou no meio, sei que as reponsabilidades não são nunca de uma das partes. Concordo que se devia discutir abertamente. Mas será que isso interessa a todos? Sinceramente, não me parece. E confesso que estou mais que farta destes “coitadinhos” todos perseguidos. Se já senti pressões no meio. Claro que sim. Se já me senti perseguida? Claro que não. Para isso teria que virar costas e fugir. E isso não faço. Se há problemas, que se enfrentem nos lugares certos e não sob a capa cínica do “desgraçadinho” envolto num qualquer complexo de calimero.

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  1. CONCORDO… « Mario.Ruivo Blog - Março 25, 2010

    […] com Miguel Sousa Tavares, até porque já o tinha AQUI afirmado há uns meses, que esse era um dos problemas dos media em […]

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