As redes sociais são um espaço de convívio e debate entre os que a elas aderem. A adesão e participação ocorrem de formas diversas. Alguns permitem a participação de todos e outros selecionam os amigos com quem querem conversar, debater e trocar curiosidades.
Recentemente foi criado um grupo designado “De apoio ao Mário Crespo e aos jornalistas independentes(há poucos).“, cujo criador é o Prof. Gabriel Maria e tem como administradores Manuel Pôejo Torres ( Universidade Católica Portuguesa) e Lourenço de Almada. Esse grupo objectivava o apoio à liberdade de expressão e a Mário Crespo, citando-o na informação do grupo (lado esquerdo ) “Por uma Sociedade Aberta e evoluída. A favor do contraditório, e da crítica livre e responsável. “Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Mário Crespo in JN. Este texto nunca será publicado no JN”
Tendo presente tais princípios, que o criador consideraria inalienáveis, aderi ao referido grupo para aí exercer o contraditório em defesa do direito à privacidade, do dever de prova nas acusações e do direito de opinião, se não mesmo de defesa da dignidade de qualquer sujeito, exerça ele funções públicas ou privadas, desde que investido nas suas vestes privadas.
Fiz dois comentários e tirei uma conclusão. Defender a liberdade de expressão é um acto digno de um Estado de Direito e Democrático. Não pode, nem deve ser nunca, um meio falacioso para sustentar um argumentum ad ignorantiam. Já todos percebemos que sobre José Socrates têm incidido as mais variadas tentativas de linchamento popular, que se vão sucedendo desde o seu primeiro dia de exercício de funções como Primeiro-Ministro. Quando as preocupações se desviam do essencial para o acessório, se focalizam na personalidade e não na acção governativa, sem nunca se provar nada de que foi sendo sucessivamente acusado, cabe à sociedade no seu todo dizer basta. Não o fazer é ser cúmplice numa colectiva “caça ao homem”. E mais grave, quando feita para quem “o contraditório aqui, depende muito da minha paciência e tempo. Porque não há contraditório possível contra um facto de que eu não gosto.” e assume que “Aqui não há democracia. A que havia acabou hoje”. Recorde-se que o grupo na sua informação se diz “Aberto:todo o conteúdo é público”.
Fica a memória desse momento e a preocupação sobre a sociedade que se está a construir em Portugal, apenas porque não se gosta da personalidade de um Homem.
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