Passos Coelho no Congresso do PSD quando “empurrava com a barriga “ o estado do País!
PS: o título do post é extraído do discurso de Passos Coelho no Congresso do PSD
Passos Coelho no Congresso do PSD quando “empurrava com a barriga “ o estado do País!
PS: o título do post é extraído do discurso de Passos Coelho no Congresso do PSD
Aguardamos pelo dia em que alguém lhe diga o que se espera de um Primeiro-Ministro!
A 30 de Setembro do ano passado, requeri ao Sr Primeiro Ministro informação sobre o montante gasto pelo Governo em despesas ao exterior, pretendendo englobar nessa informação as viagens ( aviação civil e Falcon) mas também a parte correspondente ao gasto dos membros do Governo com alimentação e alojamento no exterior. Tal requerimento pode ser lido no site da Federação de Coimbra ou no site do Parlamento.
Não tendo ocorrido a resposta no tempo útil legalmente previsto, apesar de um pedido deferido ao Gabinete do Primeiro Ministro de prorrogação do prazo por mais 30 dias, solicitei a intervenção da Srª Presidente da Assembleia da República no sentido de ser obtida resposta àquele requerimento.
Finalmente, em 13 de Março deste ano foi dada a resposta pelo Sr. Primeiro Ministro, através do seu Gabinete, que pode ser lida aqui ou em rp147-xii-1ac-a
Como se percebe pelo confronto entre o que se solicitava e o respondido, não consta qualquer informação sobre montante de despesas com alojamento e alimentação, ali constando apenas uma relação sobre as deslocações, onde se constata que o Governo gastou 1 125 829 em 231 dias de exercício, tendo Bruxelas como local de preferência.
Como entendo que não foi dada resposta completa ao solicitado, nem me foi dada qualquer explicação para a ausência de informação sobre a despesa com o alojamento e alimentação , voltarei a insistir na obtenção dos dados solicitados.
“Nós, simplesmente, como gente adulta e madura, vamos cumprir o que lá está, custe o que custar. E custa, custa muito, não haja dúvida quanto a isso, mas vamos cumprir”, afirmava há dias Passos Coelho referindo se ao memorando e aos sacrifícios que se está a exigir aos portugueses.
Ficamos assim a saber que a gente adulta e madura deve cumprir. E deve cumprir, na opinião do Primeiro Ministro, se isso custar muito. E que, segundo Passos Coelho, esse custar deve recair sobre um povo que, segundo ele, vive acima das suas possibilidades. «Pobres já nós estamos. Há é pessoas que ainda não se deram conta disso e continuam a viver como se não fossem pobres» sentenciava o líder do PSD na sua cadeira de S. Bento. Nós, que no caso queria dizer eles, o povo. Sim, o Povo esse coletivo que não percebe o que ele já tinha percebido. Ele, o Passos claro!
Ficamos então a saber que o primeiro ministro além de adulto, maduro e cumpridor, também é economista e afinal vive deprimido. Deprimido e angustiado com um povo, que continua a não ter noção da realidade que os atinge.
Mas o que considero realmente estranho é a sua imensa determinação em cumprir o que lhe é imposto em contraponto com a ausência dela quando os compromissos são por si definidos.
Mas o que Passos Coelho deveria saber é que há um País à espera de uma liderança. Que há um povo à espera que lhe digam que é possível sair da crise, que há um caminho.
Os portugueses vivem com a sensação de que cada vez que o seu primeiro ministro vai falar com os seus pares europeus lhes fala dos cortes, dos sacrifícios e de como tudo tem feito para mostrar aos seus concidadãos que não há nenhum país que cresça com excesso de dívida ou ,como já o afirmou publicamente, que o nosso crescimento foi à custa da poupança do exterior, ou seja dos outros povos.
Vivemos com a sensação de que Passos Coelho sente que o seu brilhantismo externo depende da forma como castiga o seu próprio povo. E não será esse o caminho certo.
Como não é certo o caminho de se pensar que o povo está disponível para aguentar todos os sacrifícios porque assim se afirma como um ente colectivo responsável. Os portugueses são um povo disponível para lutar e para fazer sacrifícios mas têm de os entender como válidos. Não por qualquer vocação masoquista ou de subserviência ao capital estrangeiro.
Querer fazer a reforma dos tribunais, das autarquias, da saúde, da educação, das finanças mas sempre a exigir do mais fraco e nunca a reclamar do mais forte é não entender que a corda está esticada ao limite. Que nenhum sacrifício será mais suportado sem que isso coloque em grave risco a paz social.
Pode o governo querer acabar com muito dos que os portugueses têm, e que o conseguiram à custa da sua afirmação como um povo capaz, mas há uma realidade que Passos Coelho deve assimilar, a de que nunca ganhará o país contra o seu povo.
publicado na Revista C
O pedido de audiência de Passos Coelho ao Presidente da República, agendada para esta quinta-feira, não terá ocorrido, por certo, no momento mais adequado para Cavaco Silva, o qual desejaria, nesta altura, manter-se afastado das movimentações (e convulsões) partidárias.
Na verdade, depois de um discurso de tomada de posse que só mereceu o aplauso das bancadas do PSD e do CDS, partidos que estiveram na base de apoio da sua recandidatura, Cavaco Silva desejaria afastar-se desse posicionamento fracturante e apresentar-se aos portugueses numa posição de absoluta independência perante as posições que os diversos partidos venham a assumir na próxima semana, e particularmente os partidos à direita do espectro partidário.
Mas não foi esse o entendimento de Passos Coelho. Na minha opinião,o líder do PSD temendo que o Presidente da República não valide a sua pretensão de chamar os portugueses às urnas e confrontado com a pressão dos seus companheiros de partido, terá pedido essa audiência para condicionar a posição futura de Cavaco Silva.
Senão vejamos:
Se perante a recusa do partido de Passos Coelho em aprovar o PEC IV e a óbvia crise política que se seguirá -acreditando que os restantes partidos também não o viabilizarão – , o Presidente da República não convocar eleições, o líder do PSD deslocará a critica e a pressão dos seus companheiros de partido para Belém, fazendo dessa forma o seu seguro de liderança.
O mesmo ocorrerá se o PSD vier a viabilizar, com ou sem alterações, o PEC que será discutido na Assembleia da República durante a próxima semana. A ideia que deixará passar para os militantes do seu partido é de que terá sido Cavaco Silva o responsável por tal alteração.
Mas se pelo contrário, Cavaco Silva o secundar na irresponsabilidade de submeter o País a eleições antecipadas ficará prisioneiro da ideia de que Passos Coelho terá ido a Belém cobrar o apoio à sua reeleição como Presidente da República. Na verdade, perante as declarações conhecidas de diversos responsáveis da Comissão Europeia sobre o recente Plano de Estabilidade e Crescimento apresentado pelo Primeiro-Ministro português e o apelo feito por Cavaco Silva à redução da despesa do Estado por forma a ser possível cumprir os compromissos de Portugal perante as instâncias europeias, mal se perceberia uma decisão em sentido contrário sem a enquadrar no acerto de contas das eleições presidenciais.
Por certo, também o Governador do Banco de Portugal não deixará de concordar com a posição dos seus homólogos europeus sobre a importância da aprovação no Parlamento do PEC IV. Como não deixará de considerar de extrema gravidade para o país o surgimento de uma crise política, razão pela qual será importante ouvir a sua opinião.
No caso de optar por eleições antecipadas, Cavaco Silva seria co-responsável pelas consequências brutais que poderiam advir dessa crise política para os portugueses , assumindo-se como parte do problema e não da solução.
Por isso tudo, entendo que Passos Coelho criou um problema a Cavaco Silva com o seu pedido de audiência, atitude que me parece não ser totalmente descontextualizada dos comentários que alguns militantes dados como próximos do Presidente da República tem vindo a proferir sobre a sua liderança.
Aguardemos pelos desenvolvimentos dos próximos dias para perceber se Cavaco Silva se conseguiu libertar do espartilho em que Passos Coelho o colocou, assumindo o seu lugar de Presidente de todos os portugueses e de referencial da estabilidade política, apelando ao sentido de responsabilidade do líder do seu ex partido.