” Não te posso publicar esta crónica”. ” Tu és Director, saberás o que fazer”. ” Eu sei que sou Director. Não preciso que digas que sou Director. Eu sei que sou Director.”.” Posso dizer-te que se fosse eu Director, publicava.”.”Eu tenho que confirmar isto e a esta hora não consigo ligar ao Primeiro-Ministro”.” Tu és Director saberás o que fazer, não publicas e eu nunca mais escrevo para ti”. ” Eu tenho que investigar isto”. ” Faz o que quiseres, investiga o que quiseres: Não publicas e eu nunca mais escrevo para ti.”" Sobre isso falamos depois”. ” Não Zé Leite Pereira, nós não falamos mais” Extracto de artigo de opinião de Mário Crespo publicado no Diário de Coimbra, fls 9, de 22/02/10 onde relata a conversa havida com Leite Pereira do JN
Uma nota do Diário de Coimbra refere que este artigo de opinião foi entregue aos deputados da Comissão Ética da Assembleia da República, na semana passada, e ainda não foi publicado na imprensa.
E , acrescento eu, é uma pena que ainda não tenha sido publicado, porque aquela conversa é esclarecedora do facciosismo, da má fé e da intenção de Mário Crespo em criar um facto político assente numa provocação.
Recorde-se que o artigo que Mário Crespo queria publicar visava a condenação de eventuais comentários que Sócrates teria feito num restaurante sobre ele e que lhe teria sido relatado por um comensal ouvinte do alheio.
Mário Crespo, ao trazer a público a conversa que teve com José Leite Pereira, do Jornal Notícias, confirma a ausência de qualquer razão que lhe pudesse assistir nas criticas que fez, e vai fazendo, ao Director do Jornal, a Sócrates e à limitação do seu direito de opinião. E não as tem porque, pelo seu conteúdo, o Director do JN, naquela conversa, apenas quis salvaguardar a responsabilidade do jornal perante as acusações que constavam do artigo de opinião a publicar, sendo que estas até tinham chegado a Mário Crespo por via indirecta. Crespo sabe, como todos os jornalistas, que é corrente o cuidado na publicação de artigos ou notícias em que se fazem acusações a terceiros, não precisando destes serem figuras do Estado. Não teve ainda razão, porque foi Mário Crespo quem pressionou a Direcção do jornal para a publicação do artigo de opinião sem que se cumprisse o código deontológico da classe, ou seja, a audição da outra parte antes publicação. Mas ficamos a saber que Mário Crespo é defensor da publicação de acusações sem que os visados sejam contactados.
Não tem obviamente razão Mário Crespo ao acusar José Socrates de interferência, porque se percebe que este não sabia de nada e que o contacto que Leite Pereira pretendia fazer com ele se deve inserir numa linha editorial responsável.
Por fim, não tem razão Mário Crespo porque, perante a diligência que o director do Jornal pretendia fazer, foi ele de motu próprio quem decidiu que não falava mais com Leite Pereira. Mas, recordo, logo a seguir o artigo foi publicado pelo Instituto Sá Carneiro.
E andou o País a perder tempo com isto…
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