Alguns sectores socialistas vão sustentando que Manuel Alegre estará demasiado ligado ao Bloco de Esquerda e por essa razão ambicionariam uma candidatura presidencial mais abrangente e com alargada capacidade de penetração eleitoral.
Além de Alegre e Cavaco Silva, Fernando Nobre assume-se, ao fim do dia de hoje, preparado para a disputa presidencial.
Não vou aqui dissecar o perfil ou o percurso político de Fernando Nobre, aceitando-o como uma personalidade reconhecidamente dedicada às causas humanitárias e aí gozando de grande prestígio.
Contudo, o Partido Socialista tem no seu militante histórico Manuel Alegre ,uma candidatura suprapartidária . Como não poderia deixar de ser, se pretende unir e representar os anseios de todos os portugueses.
Alegre afirmou-se na solidão da sua avaliação e, admito, o seu anunciado rumo a Belém, pode ter sido antecipado pelas constantes investidas que esses sectores foram desencadeando junto de algumas personalidades, procurando nelas uma disponibilidade para a “corrida” presidencial.
Mas não tenho qualquer dúvida que o bom senso irá imperar e o Partido Socialista se apresentará unido em torno da candidatura de Manuel Alegre, afastando veleidades que no momento actual criariam dificuldades internas, provocariam fracturas e focos de tensão injustificados.
E os democratas são os que aceitam a vontade das maiorias mesmo que delas discordem.
E se outras razões não houvessem, a coerência é sempre a bussola que deve orientar o comportamento.
E que coerência poderia existir num apoio desses sectores a uma candidatura como a de Fernando Nobre, quando este, duas semanas antes de anunciar a sua candidatura presidencial, informou o Bloco de Esquerda de que iria ser candidato a Belém ?
Pelo menos,essa “bênção ” Manuel Alegre não pediu.