No dia em que se discute na Assembleia da República a proposta de referendo sobre casamento de pessoas do mesmo sexo, apetece perguntar se deixaram de ser prioritarias políticas de controlo da despesa pública para os partidos que pretendem viabilizar tal dislate ? Na verdade, fazer agora um referendo, com os custos que esse processo acarreta para o erário público, nada acrescenta à consulta popular ocorrida nas legislativas. Para não apelar à memória do discurso do Governo, e seu partido, na anterior legislatura apontando para a necessidade de incluir a proposta de casamento de pessoas mesmo sexo, no programa eleitoral a sufragar pelo eleitorado. Como veio a fazer nas últimas legislativas, com os resultados eleitorais conhecidos.
Justificarem-se alguns com o carácter não prioritário deste assunto na agenda política é repugnante, por tal argumento demonstrar um facciosismo arrepiante para com os direitos de cidadãos que há anos lutam pela legalização de uma situação que os perturba.
Se alguns querem fazer referendos, então que os façam sobre matérias que a todos importa. E que não tenham ainda sido sufragadas. Sobre a redução do número de deputados ou a criação de círculos eleitorais por NUTS em vez de círculos distritais, só a título exemplificativo.
Ou então podemos sempre brincar aos referendos e sufragar se somos a favor ou contra o dia sem calças.
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REFERENDOS
AGARREM-ME …
BOATO DO DIA: Victor Baptista estará contra a regionalização e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. E consta que se quer separar de Luís Vilar. É de homem!
PS. Não contem ao animal feroz.
no blog OSEXOEACIDADE
Não sei se é contra a regionalização e o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas sei que é do contra!
QUE IMPORTA A DESIGNAÇÃO?

Foto retirada do blog A Fábrica
“Ironia das ironias: enquanto o Governo português leva a Conselho de Ministros a legislação que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o Papa Bento XVI proíbe o casamento entre católicos e não católicos.
São, de facto, antagónicos os caminhos e as prioridades dos reinos da terra e do céu. Seria, contudo, bem mais fácil se o próprio casamento fosse desdramatizado. Lembro aqui uma frase famosa de George Jean Nathan: “O casamento baseia-se na teoria de que, quando um homem descobre a sua cerveja favorita, abandona de imediato o seu emprego e vai trabalhar nessa empresa de cervejas.”
Miguel Coutinho no DIÁRIO ECONÓMICO
A discussão sobre a designação a dar à união ou vinculação jurídica, da relação entre sujeitos do mesmo sexo, só pode ser desdramatizada, como diz Miguel Coutinho.Mas é essa dramatização que tem promovido toda a discussão sobre a figura juridica dessa relação. De ambos os lados.
Mas,
Se pensarmos que o facto de poderem existir casais do mesmo sexo não prejudica, nem interfere, na relação que os sujeitos de sexos opostos têm; Se pensarmos que casamento, união ou outro nome qualquer que se dê não tem qualquer relevância para a forma como qualquer um sente a sua relação com o outro; Se pensarmos que tantos quantos discutem hoje o termo casamento olharam durante tanto tempo o divórcio como o mal maior da família; se pensarmos que hoje há cada vez mais relações perfeitas sem qualquer vinculação e cada vez mais relações imperfeitas em que o casamento é o unico elemento que os identifica, apetece perguntar :
Nome da vinculação ? Que importa ?
Escolham lá qualquer coisa, porque o que dá dimensão, é uma verdadeira relação a dois, uma relação em que ambos estejam juntos porque querem e não porque tem de ser. Do mesmo ou do sexo contrário.


